2 de agosto de 2007

O Português Médio

Quando escrevi este post desabafo, fiquei com a sensação que o devia desenvolver. Mas quis a falta de tempo que o não fizesse. Agora, e no descanso das férias, com tempo e disposição não posso deixar de apresentar a teoria do Português Médio. Teoria que venho a desenvolver há algum tempo nomeadamente, quando bebo uns copos e me sento a falar de sociedade ou politica.

Importa antes de mais caracterizá-lo. O Português Médio é uma franja ainda grande da sociedade que tal como o nome indica, ocupa uma posição central, embora possa estar mais perto de um ou de outro extremo. O Português Médio está bem acima do limiar de pobreza e suficientemente distante da riqueza. Tem um emprego fixo e estável, sempre por conta de outrem ou controla micro/pequenas empresas. É socialmente aceite e apoia o topo da sociedade ao mesmo tempo que conhece a situação e tenta ajudar os extractos mais baixos. Tem uma apetência grande pelos bens imóveis e os (poucos) incentivos à poupança têm nele sempre eco.
O retrato que acabei de fazer é mais ou menos o de um Português modelo. É evidente que o Português Médio real não preenche um ou outro destes requisitos. Imagine Portugal se tal acontecesse… seríamos um país quase perfeito. Mas não somos. Das inúmeras razões para o não sermos está desde logo na forma como o Português Médio é tratado. Ele é o alvo preferencial. Do Português Baixo, do Português Alto e mesmo do Estado nas suas mais diversas formas.
É o Português Médio que sustenta e põe o país a funcionar. Porque é ele que verdadeiramente trabalha, quase sempre com grandes responsabilidades dentro da organização, não traduzidas em salário. Porque é ele que paga uma grande fatia do IRS recebido pelo Estado. A sua condição de trabalhador por conta de outrem, muitas vezes por conta do próprio Estado, faz com que pague impostos sobre tudo o que, realmente, aufere. Porque é ele o garante da esmagadora maioria das Associações deste país, ajudado financeiramente pelo Português Alto e contando com a ajuda caso o solicite do Português Baixo para quem as associações são maioritariamente vocacionadas (quando se fala aqui em Associações retiram-se todas as mediáticas, essas estão ao serviço do Português Alto no seu caminho para a fama). Porque o Português Médio paga voluntariamente todas as suas obrigações. E fá-lo não porque concorde mas porque não pode fugir como o Português Alto (que usa o seu poder para contornar o sistema) e como o Português Baixo (que por não ter meio de pagar não o faz e vai empancando a máquina que cobra). Porque é ele o mais vulnerável na justiça. Não tem os meios para a contornar como o Português Alto e ao contrário do Português Baixo, preocupa-se com os bens que tem e com a imagem na sociedade.

Podia continuar e desenvolver mais este texto mas acho que a ideia principal já passou. E afinal, eu serei um Português Médio no futuro. Que como todos os Portugueses Médios estão de férias em Agosto (não podem ir à época alta Brasileira nos nossos meses de frio como o Português Alto mas também não ficam em casa à espera de melhores dias como o Português Baixo) e a piscina já chama…

5 comentários:

Anónimo disse...

Apoiado !
Maneló

Anónimo disse...

nem mais

Capitão Merda disse...

Deduzo que sou um português marreco!

Vasco disse...

devias estar lindo quando escreveste isto...

jorge c. disse...

Até que enfim que há alguém que diz alguma coisa acertada e denuncia o alcoolismo deste leitão da bairrada.