19 de novembro de 2007

das idioten XLIV

Esta é a discussão, em forma de post, que o Insurgente propõe. Os estudos que suportam esta teoria afirmam que o número de homicidios tem tendência a diminuir com o aumento das execuções. Eu acrescento que se os torturassemos antes e passassemos tudo na tv se calhar ainda baixávamos mais os homicidios.

14 comentários:

rps disse...

Nos EUA, correm teorias segundo as quais o aborto tem, a médio-longo prazo, efeitos na baixa de criminalidade. A possibilidade de mulheres dos estratos sociais mais baixos abortarem impede o nascimento de potenciais criminosos.

das idioten XLV?...

lu disse...

Não acredito que se os torturássemos e se passássemos tudo na tv, se calhar, ainda baixávamos mais os homicidios.
Sou completamente contra a pena de morte, mas apenas porque há sempre a probabilidade de acusar erradamente pessoas inocentes.
Estes são dados estatísticos, podem ser frios e calculistas, como os do Sr. Pedro Arroja (que podem ler via Jorge C.), mas doa a quem doer são reais.

lu disse...

Rps
também li uma notícia sobre esse assunto, acho que na altura do referendo, e também fiquei espantada, mas não será mesmo verdade?
Estados americanos onde o aborto é legal têm uma taxa de criminalidade menor. Porque será?

GRaNel disse...

Isto são estudos. E estudo não são estatistica. Uma coisa é ver a realidade e traduzi-la em números. Outra é deduzi-la. É impossivel comparar a criminalidade com ou sem pena de morte. Onde a há, há e onde não a há, não há. Tentar comparar as duas é puro erro. Há multiplos factores que influenciam. Mais, o meu comentário nem vai por aí. O que está por trás deste estudo é o medo. É evidente que quanto mais matamos mais medo existe de se ser apanhado e portanto maior será a tendência para evitar cometer o delito. Isto é Lapalice...

GRaNel disse...

Quando Giuliani foi Mayor de Nova Iorque ordenou que todos os presos detidos por crimes de sangue fizessem trabalhos forçados. A criminalidade violenta foi baixando progressivamente. Mal abandonou o cargo esta lei foi revogada e a criminalidade voltou a subir (em flecha). Isto sim, é estatistica comparavel. Acrescento o facto de que é uma pena passivel de correcção. Uma boa indeminização e tá resolvido. Pergunto-lhe lu se seria a favor de uma medida destas em Portugal?

lu disse...

Granel
Acho que estes estudos são baseados em análises estatísticas...

Sou contra a pena de morte, sou a favor de medidas como a de Giuliani, mas não acho que estes estudos sejam idiotas.

Mas já agora, o que queres dizer com " O que está por trás deste estudo é o medo. É evidente que quanto mais matamos mais medo existe de se ser apanhado e portanto maior será a tendência para evitar cometer o delito." ???
Bora lá meter medo a quem mata!!!

GRaNel disse...

A ideia é exactamente essa. É por aí que o estudo vai.

Desculpe não lhe ter respondido rps. O que diz faz todo o sentido mas mais uma vez é o fugir do problema que prevalece em detrimento do resolver. Daí que obviamente um prémio lhes assentaria bem.

dass disse...

Se a pena de morte baixasse os homicídios, os EUA e a China, por exemplo, não teriam razões para ter homicídios. A verdade é que não há qualquer estudo inequívoco que legitime a aberração da premissa ou sequer que comprove que penas mais elevadas estão directamente relacionadas com a diminuição da criminalidade.

filinto disse...

Já o aconselhei ao Granel e reitero aqui, por que vem a propósito dos comentários: o livro Freakonomics. Até porque é divertido, além de sério, e a questão do aborto, ali abordada, faz muito sentido.

Em relação à pena de morte, sou português. Não a aceito.

jorge c. disse...

O Fil diz tudo numa única frase. O que os tipos do Insurgente não entendem é a diferença cultural e a evolução política cá e lá. Simples!

GRaNel disse...

Não é minimamente isso que está em discussão. O que se discute é o abaixamento da criminalidade. Todos o queremos. O que importa é escolher a melhor medida para o conseguirmos, se a houver. Estes estudos reiteram que um aumento das execuções leva a esse abaixamento. Eu acho isto Lapalice. E para além do óbvio, não julgo que a pena de morte seja a solução, até porque não concordo com ela. Lancei os trabalhos esforçados que Ruddy implementou. Sobre esta medida, acho que valia a pena falar. Estejam à vontade.

filinto disse...

Não costumo visitar o dito blogue, por isso o que quero comentar é o que vai surgindo aqui, felizmente filtrado.

1- Os trabalhos forçados fazem-me lembrar a China. Não poderei aceitar. É desumano. Há muitas coisas que a Rudia fez que podem ter sido igualmente relevantes para a diminuição do crime e outras tantas que são absurdas simplesmente. Esse é um caso, não me parece que adiante seja o que for e duvido que seja legal.

2- Os índices de criminalidade estão a aumentar?

Otília disse...

Aborto e diminuição de criminalidade, só podem por falácia ser associados, daí que a classificação “Idioten” seria de todo apropriada…

Facilmente se confundem algumas coisas, na base de um determinado estudo supra referido (cedo-o a quem o quiser ler),com base nos dados recolhidos e com recurso à “famigerada” estatística – só quem nunca a usou, não entenderá o porque da classificação – nascimento de crianças “não desejadas” (o não recurso a IVG) não aumenta índices de criminalidade, a falta de apoio às famílias que as suportam e às próprias crianças por parte das entidades competentes, essas sim podem contribuir para o aumento da criminalidade – incapacidade do sistema como dizia um amigo meu de liceu.

Pena de morte, não obrigado!

Não acredito na prevenção geral que se procura com a sua aplicação, lamento os inocentes executados (porque o processo penal é falível, e mesmo para os culpados incomoda-me a ideia de "vida por vida/vidas" bem como continuo a achar que nenhum argumento, seja económico, sociológico, ou ideológico a justifica.

Quanto a “trabalhos forçados”… definam-nos antes do mais, desde que não degradantes - não me chocaria ver reclusos a limpar matas, ou beiras de estrada-, considero que a ocupação de reclusos em prol da comunidade, remunerado, é essencial e deve ser promovido e não só nos paradigmáticos EUA (a China é outra história), também entre nós é defensável – também há estudos elaborados nesse sentido e acerrimamente criticados os defensores desta posição.
Pergunto-me se não será mesmo uma solução, como esperamos uma reinserção na sociedade de um ex-recluso (pena máxima em Portugal é de 25 anos), se no termo do cumprimento da sua pena o largamos na rua, sem emprego, sem apoio familiar, e sem dinheiro? – E não me venham falar do IRS (Instituto de Reinserção Social)!!!

(ena, ficou grande o comentário, desculpa Granel!!!)

filinto disse...

Otília,
não sei se leste o livro, mas eu não fiquei nada com a ideia de ser uma falácia. E como não percebo muito de estatística -- faço leituras com base nos meus conhecimentos e preconceitos, claro -- acreditei na leitura de alguém que sabe muito mais do que eu. Admito outras leituras do estudo, como é óbvio, mas não foi a que me foi transmitida pelo freakonomics.

Em relação às condições sociais, parece evidente o que escreves. Mesmo que tenha algumas dúvidas em relação a esse apoio social -- não é um desvio de direita ;-) são apenas dúvidas.

Estamos de acordo na pena de morte, e nos trabalhos forçados a minha questão é essa: pode o estado obrigar alguém a trabalhar numa pedreira? Isso pode resultar, de facto, num trabalho de reinserção?

Há muitos reclusos (conheço os casos de Sta Cruz do Bispo, mas creio que há mais) que trabalham efectivamente, nos jardins de Matosinhos, por exemplo.

A minha keyword nessa questão não é "trabalhos", antes é "forçados". E de forma humilde pergunto se será legal, constitucional, porque conheço o "direito ao emprego", não conheço o "dever do emprego".

(sorry, está tb grande)