5 de julho de 2007

O tentáculo não pára de crescer

Caros (blog)amigos, somos o último reduto da informação credível e imparcial de Portugal (como se eu fosse imparcial mas…). Somos mesmo.
O Grupo Caixa Geral de Depósitos prepara-se para ser o maior accionista da PTM, que é só a maior distribuidora de conteúdos multimédia do país. Mais um grupo a juntar ao já grande império de comunicação do nosso Governo/PS. E as forças já estavam desequilibradas. Se não, vejamos. À RTP e à MediaCapital junta-se então a PTM (presidida por Proença de Carvalho e com Armando Vara como manda-chuva, posição que lhe advém via CGD). Desenvolvendo a equação obtemos RTP + TVI + IOL + Comercial + RCP + DN + JN + TVCabo + TSF + Sapo + Diário Digital, todos ao serviço do Governo deste país ou se preferirem, do PS. Provavelmente esqueci-me de algum pelo caminho mas que importa, já são tantos. É notória a esmagadora maioria que este grupo representa no panorama comunicacional nacional. A contrariar e hegemonia só o grupo Impresa e Cofina, que mais discretos,vão fazendo o seu trabalho.
Isto é grave e levanta uma outra questão. Para que raio queremos um Banco Comercial nas mãos do Governo? São inúmeras as vantagens de ter um banco ao serviço do Estado (não do Governo). Planos de Poupança aliciantes para combater o consumo excessivo e consequente endividamento das famílias, cheques-educação para os mais desfavorecidos ou empréstimos bonificados para incentivar um determinado ramo da economia são disso exemplos. Isto é serviço público, é para o bem da comunidade. O que temos é algo completamente diferente. Temos um Banco Comercial que ganha fortunas canalizadas para os devaneios do Governo e para a crescente desinformação e controle da opinião pública. Parece-me óbvio que mais vale alienar e ficar com o dinheirito.

4 comentários:

jg disse...

Grande Miguel, voltarei com mais tempo para passear pelos teus postes.
Assim de repente um gajo até fica com os olhos trocados com a cromática vagabunda.
E decide-te com a foto do teu perfil. Por mim, voto na primeira. Estavas com pinta de Gitano que "as" abate por instinto!
Abraço.

filinto disse...

Estou a ver que estavas capaz de votar a lei anti-concentração do Bloco de Esquerda. Curioso.

Marta Araújo disse...

Este fenómeno da concentração dos media é,sem dúvida preocupante. Há muito que vem sendo 'discutido', mais 'em voz baixinha' no seio da classe do que outra coisa. Agora, felizmente, ou então não, o assunto começa a passar para a opinião pública.

É um tema sensível e muito frágil. Pode não parecer, mas o fenómeno em causa, e como em tudo na vida lol, tem prós e contras. Não me agrada, de todo, mas não sou radical ao ponto de ficar 'em pânico'. Temos que ser idealistas e perceber o nosso papel mas também ter em conta que assim se vão manter(aumentar não digo)postos de trabalho, melhores condições e talvez seja possível dar-mos o pulo que nos falta a nível das NTC (para o qual é preciso dinheiro. Por mais chato que seja temos que perceber que os media têm custos e que alguém os tem de pagar). Quanto ao 'controlo' que daí pode surgir...os media já o são é já (ou então não). Não vamos fazer nascer problemas que já existem,mas que agora se apresentam com um new look. Olhemos para fora e analisemos o que se passa.

otília disse...

A única coisa que me ocorre dizer, é que tenho dúvidas…
Sim dúvidas, em tempos idos era fácil identificar os sinais de controlo, as manobras de apropriação e ingerência do Estado eram claras e visíveis – havia censura.
Hoje não é assim, as manobras são de bastidores, actua-se por interposta entidade, “não existe censura em Portugal”, nem qualquer tentativa de “controlar a comunicação social” – é principio afirmado e reiterado no Estado de direito democrático que reconhece a liberdade de imprensa e de expressão.
O que me deixa incrédula, por estranho que pareça, é que apesar das constantes noticias, sobre assunção “direcção” dos vários meios de comunicação social nacionais, por parte de empresas directamente/ indirectamente ligadas ao Estado, ninguém reaja, se indigne, aponte o dedo, e alerte para o perigo de tal concentração – estaremos a esquecer-nos da orientação politica do partido no Governo, da génese do socialismo? Estarão a tornar-se visíveis as diferenças entre socialismo e social-democracia? Tenho dúvidas!!!